sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Tonto & Seahorse

Só um pequeno post para falar de duas grandes (em todo o sentido da palavra) canções que me têm dado um gozo imenso nos últimos tempos.

Para começar, voltamos ao álbum de estreia dos Battles, Mirrored, que dividiu muito boa gente sobre o propósito e qualidade desta música. Digo, sem reticências, que estou no lado dos que gosta. O álbum deu-me um gozo enorme do princípio ao fim quando o ouvi pela primeira vez. As melhores definições que encontrei para esta música foram "electrónica com guitarras" e "melodia intelectual", e não me acanho de empregar ambas sempre que posso. Bem, o segundo single do álbum, depois do Atlas, é precisamente a música que me fez baixar os braços e render aos Battles, e a um dos álbuns mais interessantes deste ano, na minha opinião. Estou a falar de Tonto.



O vídeo foi imaginado por uns senhores da UVA (United Visual Artists), celebrados pelos seus trabalhos com luzes, como se pode bem verificar.

O outro vídeo é do hippie mais porreiro de todo o estado do Texas, com um álbum mui aclamado há dois anos, Cripple Crow e com o novo Smokey Rolls Down Thunder Canyon (haverá título mais delicioso?). Ouvi-o com algum descrédito a princípio, nos primeiros pares de canções, que me pareceram ou fracamente gravadas ou desinspiradas, mas houve uma que surgiu mais ou menos a meio da audição, e soava algo assim:



A partir daí, compreendi finalmente o disco, e pude apreciá-lo (verdade seja dita, também melhora muito a partir deste ponto) em todo o seu esplendor. Principalmente as faixas Rose, Bad Girl e Shabob Shalom. O registo de voz está muito diferente, ainda com as características próprias do Devendra, claro, mas num tom ligeiramente abaixo dos outros álbuns. É mais.. subtil, se fôr essa a palavra que procuro. Nada como ouvirem.

E é tudo, bom fim-de-semana!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Nostálgicos

Cresci a ouvir isto vezes sem conta sem saber quem era esta gente.


Prefab Sprout -
Appetite






Mercury Rev -
Opus 40






Manic Street Preachers -
If You Tolerate This Your Children Will Be Next



terça-feira, 28 de agosto de 2007

Amougies





"... Em Dezembro, o «Fluido Cor-de-Rosa» é pelo terceiro ano consecutivo, hóspede de Théatre 1940 de Bruxelas. Antes de voltar a atravessar a Mancha, o grupo dirige-se para o monte de l'Enclus, perto de Amougies, uma aldeia do sul da Bélgica, onde se desenrolará o grande festival pop de Paris, proibido pelo presidente da Câmara da «Gay Paris». O mestre de cerimónias é Frank Zappa. O seu contrato estipulava que tinha de tocar com todos os conjuntos presentes. Por isso, juntou-se aos Pink Floyd em «Interstellar Overdrive».
«Na altura da improvisação tocou sobre um só acorde durante vinte minutos» (D. Gilmour)."
- do livro "Pink Floyd", de Jean-Marie Leduc, Colecção Rock On , Editora Centelha


Estamos no Amougies Pop and Jazz Festival de 1969. Um mega-festival que incluiu nesta edição mítica bandas como os Yes, Colosseum, Soft Machine e grandes senhores do calibre de um Archie Shepp e Captain Beefheart. Mas, acima de tudo, o único lugar da Terra onde um público ansioso de psicadelismo teve a chance de ver (e ouvir), no mesmo palco, Frank Zappa e os Pink Floyd, na altura acabados de gravar o misterioso Ummagumma.


Aqui deixo à disposição, se é que ainda não ouviram, um ficheiro bootleg do dito espectáculo, que inclui três músicas (embora, oficialmente, Zappa só tenha comparticipado na primeira, Interstellar Overdrive, as restantes continuam a ser um óptimo documento de um concerto dos Pink Floyd). Sendo um bootleg, claro que a qualidade é duvidosa, incluindo variações de volume, som de fritadeira, distorção, e outros defeitos sonoros familiares. Ainda assim, como curiosidade tem algum valor para os fãs e não só. Um testemunho do momento em que dois dos maiores artistas da altura e de sempre pisaram juntos o palco.

O ficheiro pode ser descarregado aqui.

A track-listing inclui:
1. - Interstellar Overdrive (12:45)
2. - Green Is The Colour (04:15)
3. - Careful With That Axe, Eugene (09:30)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Case Study: LSD

domingo, 19 de agosto de 2007

Dave & John



O clube do 22 de Novembro, como os nossos pais o chamavam, formou-se numa noite como esta, de ar húmido e saturado, no alpendre da minha antiga casa mesmo á beira do rio. Eu estava sentado junto á lareira, numa poltrona de pele vermelha, naquele que era o meu cantinho predilecto para colocar a leitura em dia. Ali, aventurava-me nos romances famosos, como A Ilha do Tesouro, A Máquina do Tempo, As Viagens de Gulliver, e outros clássicos cujas loucuras da juventude não me haviam deixado desfrutar no tempo devido.

- Tudo bem. – pensava para comigo. – Uma boa história nunca chega tarde demais.

Mal eu sabia a verdade nas minhas palavras, nessa noite. Qual profecia escrita na pedra, tornaram-se um lema para o resto dos meus dias.

Sentado no meu canto, aconchegado, folheava lentamente, uma a uma, as páginas da minha mais recente pesquisa literária. Tratava-se de uma cópia, muito velha, da obra-prima desse poeta louco, Jack Kerouac, Pela Estrada Fora. Passara por muito, o pobre livro, e já tinha as páginas amarelecidas e um pouco rasgadas quando o encontrei numa antiga arca dos meus pais. Agora, lia-o maravilhado, com dezenas de personagens que desfilavam diante de mim, cada uma mais insana e fascinante que a última. Entrava eu no sétimo capítulo quando ouvi pancadas na porta.

Levantei a cabeça, alerta, e ouvi-as de novo. E mais uma vez, ainda antes de me poder soerguer. Quem quer que fosse, era impaciente. Não teve chance de bater outra vez, pois escancarei a porta velozmente. Lá fora estava um rapaz da minha idade, sujo, e vestido apenas com uns jeans e uma t-shirt branca. Aos seus pés, um saco de viagem esfolado, cheio até ás costuras. Trazia na cara um sorriso gozão e uns olhos cravados da falta de sono.

- Ei, John! Como vão as coisas?

Olhei para o rapaz com ar indiferente, mas cauteloso. Fosse quem fosse, sabia o meu nome. Tornei a analisá-lo, de alto a baixo, e consegui formar um pensamento, uma memória, mas estava atolada em lixo burocrático na confusão em que havia transformado a minha cabeça. Não tinha chance de ver claridade. A menos que…

Sem hesitar, ou sequer mostrar receio pela minha falta de hospitalidade, o estranho retirou um cigarro do bolso das calças, segurou-o com dois dedos e encostou-o à testa.

- Dave? – exclamei.

Ele sorriu em resposta.

- Meu Deus!

- Estava a ver que te tinhas tornado lerdinho, John. Ainda bem que não. Não fazes ideia da quantidade de pessoas que me vê e age como idiotas. Algumas nem são tão estúpidas como querem parecer, se me entendes. – e sorriu novamente.

- Desculpa, mas é que… Eu não te vejo há o quê? 3 anos?

- Por volta disso. Vejo que te livraste dos óculos. Pareces outra pessoa.

- Tu também. Que barba é essa?

- Gostas? Surgiu da noite para o dia. Deve mais á falta de higiene que às tendências da moda, garanto-te. – e riu-se, apenas para mudar de expressão quase imediatamente – Ouve John, não vou mentir-te. Por mais que gostasse de ter vindo visitar-te pela nossa amizade, a verdade é que preciso de abrigo para esta noite, e tu foste das únicas pessoas que não mudou de casa desde que o grupo se separou, por isso… Seria óptimo se eu pudesse dormir por aqui, só por esta noite.

Olhámo-nos em silêncio durante uns instantes. Acho que mesmo sem aquele pedido atabalhoado eu o teria convidado para entrar. Ainda admirava aquele profeta demasiado para lhe negar abrigo.

Entrou e sentou-se na minha velha poltrona, delicadamente. Interessava-lhe o que andava a ler, encorajou-me a não interromper só pela sua chegada. Não lhe dei ouvidos, nessa altura já estava a destrancar o quarto de hóspedes para o alojar, enquanto ele me gritava da sala.

- Não preciso de mordomias, John! A sério. Eu posso dormir em qualquer lado, no sofá, ou no chão! O único sítio onde não quero dormir é lá fora, porque não estive fora o tempo suficiente para esquecer o que esta cidade tem de pior.

Apesar disso, colocou o saco no quarto, ao lado da cama, e ajudou-me a fazê-la. Agradeceu-me e perguntou de tinha algo para comer. Fui até á cozinha e consegui desencantar os restos do meu jantar, frango, que ele devorou avidamente, mas sem esquecer as boas maneiras. Convidou-me a sentar-me á mesa com ele, para conversarmos.

- Ainda te lembras da última vez que estivemos juntos?

- Claro. Foi na festa da Leia.

- Rapaz! É verdade! E que grande loucura! Lembro-me perfeitamente! A nossa banda estava lá para tocar mas no fim da noite estávamos tão bêbados que nem conseguíamos pegar nos instrumentos! Ah Ah Ah! Que imbecis que éramos!

Ria-se como um maníaco, lançando grandes gritos a plenos pulmões.

- E a Leia vomitou em cima dos pais, quando chegaram a casa. – disse-lhe.

- Ah Ah! Isso foi impagável! Deves-te lembrar melhor disso que eu, John! Por essas horas já eu devia estar fora de serviço!

- Surpreendentemente não – sorri. – Creio que estavas fechado na casa de banho com a Mary Ann.

- Meu Deus! Lembras-te de tudo! É verdade, sim senhora! Mas ao contrário do que possas pensar, nunca cheguei ao pódio com ela. O que aconteceu foi que estávamos ambos tão bêbados que adormecemos por cima da sanita. Aposto que as histórias que ouviste soavam diferentes, mas é esta a verdade. A pobre rapariga nunca conseguiu desmistificar isso.

- Nunca mais ouvi notícias dela.

- Eu sim. Fechou-me a porta na cara quando lhe apareci à frente há cerca de dez dias. Foi uma das piores desilusões.

O silêncio instalou-se com isto. Dave já tinha acabado de dissecar o frango e olhava para mim fixamente.

- O que andas a fazer, afinal, Dave? – atirei-lhe.

- Muita coisa ao mesmo tempo, John. A minha cabeça não pára de trabalhar e isso está-me a deixar doido. Tenho de escoar as ideias, John. Reiniciar o sistema, percebes? Começar do zero.

Ninguém falou. Passado um momento, Dave levantou-se e foi atirar os restos de comida para o lixo e colocou o prato no lava-loiça.

- Vou dormir, John. Se soubesses como estou cansado... Desculpa por te pedir as coisas desta forma, mas prometo-te uma passagem breve pela tua vida, está bem? Amanhã, por esta hora, serei um fantasma ou uma ilusão e em poucos meses, nem te vais recordar que estive aqui. Com alguma sorte, nem eu…

O que lhe havia eu de responder?

- Boa noite, Dave.

- Boa noite, John.

E com isto, afastou-se e ouvi-o fechar a porta do quarto de hóspedes. Voltei o olhar para o livro do Jack, pendurado na poltrona, apaguei as luzes e fui dormir.

domingo, 29 de julho de 2007

Vídeo: Bat For Lashes - What's A Girl To Do



Até agora, na minha opinião, um dos vídeos mais interessantes deste ano. Muito inspirado pelo universo do Donnie Darko, o que só lhe dá mais pontos.

A senhora é Natasha Khan, a.k.a., Bat For Lashes, que lançou um álbum no ano passado, curiosamente no meu dia de anos. Fur and Gold, se não me engano, chegou agora às nossas lojas, talvez mereça uma audição.






Ainda com a mão na massa, há um outro vídeo, menos conseguido, do mesmo álbum. Podem vê-lo aqui se tiverem curiosidade.