Os belgas dEUS foram um caso de sucesso sério há uns anos, no final do século passado. Foram-se tornando conhecidos no movimento underground europeu com os primeiros dois álbuns, mas foi com esta obra-prima que se espalharam um pouco pelas bocas do mundo. O ano é 1999, o mundo está á beira do seu fim, o milénio aproxima-se e os dEUS editam The Ideal Crash, um registo estrondoso que cimentou uma pequena (mas activa) legião de fãs devotos, tornando-se uma banda de culto vintage, apreciados como um bom vinho, de preferêcia num bar após o fecho. Sempre estiveram, a meu ver, entre os gostos mais alternativos e um mainstream de encher chouriços nas rádios comerciais (literalmente, Instant Street por exemplo, foi involuntariamente eleita a canção regular na Rádio Comercial há uns anos, eu lembro-me de a ouvir).
Mas se há um homem por trás da banda, (e geralmente há) é Tom Barman. O gentil amargurado da vida, capaz de orquestrar todo aquele som com a sua voz, que nos leva, por vezes, a ter de sorrir enquanto caminhamos. É também ele que assina grande parte da videografia da banda.
Os Hot Chip foram, em 2006, falados um pouco por todas as listas de Melhores do Ano, em virtude do seu segundo álbum, The Warning. A banda inglesa, de influências dance-punk/electropop, chegou a figurar na lista de nomeados para melhor disco desse ano pela Mercury Music Prize. "Over and Over" foi também nomeado single do ano, desta vez pela revista NME, e recebeu atenções pelo seu vídeo, um delírio retro realizado por Nima Nourizadeh. A este juntou-se "And I Was a Boy From School", cujo vídeo surreal e melancólico ajudou a fomentar a imagem de marca desta banda.
E, apesar de tudo isto, The Warning passou-me completamente ao lado.
Apenas soube da sua existência no fim do ano, com precisamente essa correria aos discos do ano e por ver a sua aparição em algumas listas que costumo respeitar. Claro que o experimentei, ouvi-o não mais que duas vezes, mas esqueci-o rapidamente quer por não ser o estilo de música que me interessasse naquela altura imediata, quer por achar algumas canções repetitivas e irritantes (não o ouvi com atenção, pode ser que as ache apelativas agora, eu sou assim). Assim, chega 2008 para dar uma nova chance aos rapazes de Londres.
É um dos primeiros lançamentos de 2008, e acabou por ser o primeiro a interessar-me, devendo muito ao primero single digno desse nome, "Ready For The Floor". Ouvi-o na rádio mais do que muitas vezes, e gostei, mesmo sem saber de quem se tratava. Alguns downloads depois, tinha o álbum no leitor de MP3 e ouvia-o com gosto a caminho da escola.
Sem me parecer um disco genial, ou sequer motivo de muita celebração, não é mau. Há mesmo algumas músicas de que gosto bastante, outras mais dispensáveis, (especialmente quando se aventuram por melodias calmas, no final, "Whistle For Will" e "In the Privacy of Our Love") mas no geral, não têm nada que se envergonhar. É boa pop com grande suporte de sintetizadores, e armada para qualquer pista de dança caseira. A voz do vocalista, Alexis Taylor, traz à mistura a dose recomendada de melancolia "à antiga". Podia ser melhor, acredito que sim, mas isso também depende de como me soar agora The Warning, claro que o vou ouvir novamente, desta vez como deve ser.
Então, sem mais demoras, rendam-se ao vídeo de Ready For The Floor e digam se a dança do Alexis/Joker não é contagiante:
Álbum:Made In The Dark Artista:Hot Chip Highlights: - Ready For The Floor - Hold On * - Shake A Fist
*Há alguma nesta canção que me faz lembrar Of Montreal, quando se canta ...i'm only going to heaven if it feels like hell, i'm only going to heaven if it tastes like caramel...
A primeira vez que ouvi falar do Luíz Pacheco, foi no documentário que vi há uns Verões, quando só tinha quatro canais na televisão da casa alugada na Praia da Rocha. Fiquei fascinado, apesar de nunca ter ouvido falar daquela pessoa (os meus pais depois contaram-me algumas coisas sobre ele) e de não ter apanhado o programa desde o início. Demorei algum tempo a descobrir, mas sei agora que se chamava "Luíz Pacheco - Mais um Dia de Noite" e foi realizado por António José de Almeida.
Ficou-me na memória por diversas razões, uma delas não ser um documentário banal, como aqueles no Biography Channel, onde falam sobre a pessoa, metem umas quantas fotos, vídeos, lançam elogios como perdigotos, clamando pela divindade que ela é. Neste, não. Para começar, toda a gente nas entrevistas concorda que o senhor Pacheco é sim, um sacana de primeira, um amigo do caraças, um chulo sempre a pedir dinheiro emprestado, um escritor genial, um irresponsável, etc, etc. Depois, temos um actor (João Mais) a recitar a altos berros textos do Pacheco no meio da Baixa lisboeta, como um lunático, enquanto as pessoas inocentes a tudo aquilo o olham meio assustadas, meio interessadas. Por fim, temos carradas de tiradas e histórias excelentes da personagem, quer tristes, quer alegres, quer simplesmente cómicas além do que se julga possível. E temos, é claro, o próprio Pacheco a falar de tudo isto, nada arrependido da sua vida.
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Soube, ainda há pouco, pela televisão, que Luíz Pacheco morreu no sábado, dia 5 de Janeiro, com 82 anos. A rtp 2 acabou de passar o tal documentário, e ainda não foi desta que consegui vê-lo desde o início. Felizmente, pesquisei e encontrei (acho que) quase todo o seu conteúdo no YouTube, por temas. Decidi insuflar alguma vida e seriedade neste velho blog caído em desgraça. Aqui estão alguns dos vídeos.
Ainda não li nenhum dos escritos desta caricata personagem a quem chama Pacheco, mas pode ser que agora páre quando vir algum deles na livraria e o compre e talvez até o leia até ao fim. Afinal, é depois da morte que a maior parte dos artistas encontra o seu público finalmente, não?
"Chamo-me Luiz Pacheco. Fui escritor, escrevi em jornais. Agora sou um fantasma"
O caso do sonâmbulo chupista
O cachecol do artista
Os amigos
O tradutor
"O Luiz Pacheco é provavelmente o maior filho da puta, a pessoa mais corrosiva, mais intratável que há, mas eu gosto dele. Não sei porque mas gosto dele. O Luiz tem a capacidade de dizer o que pensa, de dizer mesmo tudo o que pensa, mesmo o que não poderia dizer(...)"
This is the story of your red right ankle And how it came to meet your leg And how the muscle bone and sinews tangled And how the skin was softly shed And how it whispered, "Oh, adhere to me for we are bound by symmetry And whatever differences our lives have been We together make a limb" This is the story of your red right ankle
This is the story of your gypsy uncle You never knew cause he was dead And how his face was carved an ripped with wrinkles In the picture in your head And remember how you found the key To his hide-out in the Pyrenees, But you wanted to keep his secret safe, So you threw the key away? This is the story of your gypsy uncle
This is the story of the boys who loved you Who love you now and loved you then And some were sweet and some were cold and snuffed you And some just layed around in bed And some, they crumbled you straight to your knees Did it cruel, did it tenderly Some they crawled their way into your heart To rend your ventricles apart This is the story of the boys who loved you This is the story of your red right ankle
I remember when I was a very little girl, our house caught on fire. I'll never forget the look on my father's face as he gathered me up in his arms and raced through the burning building out to the pavement. I stood there shivering in my pajamas and watched the whole world go up in flames. And when it was all over I said to myself, "Is that all there is to a fire?"
Is that all there is, is that all there is If that's all there is my friends, then let's keep dancing Let's break out the booze and have a ball If that's all there is
And when I was 12 years old, my father took me to a circus, the greatest show on earth. There were clowns and elephants and dancing bears. And a beautiful lady in pink tights flew high above our heads. And so I sat there watching the marvelous spectacle. I had the feeling that something was missing. I don't know what, but when it was over, I said to myself, "is that all there is to a circus?
Is that all there is, is that all there is If that's all there is my friends, then let's keep dancing Let's break out the booze and have a ball If that's all there is
Then I fell in love, head over heels in love, with the most wonderful boy in the world. We would take long walks by the river or just sit for hours gazing into each other's eyes. We were so very much in love. Then one day he went away and I thought I'd die, but I didn't, and when I didn't I said to myself, "is that all there is to love?"
Is that all there is, is that all there is If that's all there is my friends, then let's keep dancing
I know what you must be saying to yourselves, if that's the way she feels about it why doesn't she just end it all? Oh, no, not me. I'm in no hurry for that final disappointment, for I know just as well as I'm standing here talking to you, when that final moment comes and I'm breathing my lst breath, I'll be saying to myself:
Is that all there is, is that all there is If that's all there is my friends, then let's keep dancing Let's break out the booze and have a ball If that's all there is
“It was a wrong number that started it, the telephone ringing three times in the dead of night, and the voice on the other end asking for someone he was not.”